domingo, fevereiro 03, 2008

o sonho de descartes

ficou ali sentado
sem saber se era sonho
ou se tava acordado
com o papel e a caneta na mão.
tinha fumado um
sem querer se viu pessoalmente
rondando a estiva
notou pelas cordas de cânhamo
o braço do estivador
pediu mais um pro experimento
foi dali pra casa, madrugada
bebeu um vinho, depois da ceia
acendeu o incenso
pra num dá bandeira.
sentiu a perna tremer
procurou assento, entre a bunda
no ar e a bunda no sofá
naquele instante, ele perguntou
o que me faz acreditar que estou acordado
sentando aqui agora
quem me garante que tô acordado
sentado
papel na mão, caneta na boca
tinteiro na mesa de centro

Depois disso, ele acordou
e disse que de dentro do sonho
sabia que dormia
sentado no sofá ainda com a boca aberta
ressecada, o ronco ecoando nos ouvidos,
papel e caneta na mão
escreveu
de tudo que duvido
só num posso duvidar que penso
a dúvida é pensamento
e o pensamento tem razão de existir

(mas num existe pra ter sempre razão, eu disse
antes de acordar, mas não sei se Descartes ouviu,
não sei se ele ainda estava lá)

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