terça-feira, dezembro 14, 2010

como diria Tom Zé
"Mulher navio negreiro"
não fosse eu mulher,
ainda assim, acharia muito... sabe como é
ruim

sexta-feira, outubro 22, 2010

o meu ou o dela


-Como foi?
-Eu disse que todo livro aberto, que se preze, só mostra duas páginas de cada vez, no máximo, e mesmo assim não dá pra ver tudo ao mesmo tempo. O resto é mistério.
-E o que ela disse?
-Que ela era como um livro aberto já lido.
-E você?
-Pergutei se era meu ou dela, o livro.

sexta-feira, julho 02, 2010

Profissões...


Dar aula é a chance de estar sempre conhecendo gente. Aprender com pessoas de todas as idades, que é bom.
Alguém que tem a chance de discutir assuntos importantes nos diversos territórios é o profissional de educação.
Histórias, literaturas, matemáticas, filosofias, suspeitas de manipulação, feitura de idéias e repetição das mesmas, salvo alguma diferença que é salto, assalto, um estalo quando vem:
Você sente que está pensando e nota que também é pensado.

Ah, (olhou pra mim e continuou) você fala e faz parecer que ser professora é a maior vantagem, mas o professor ganha mal. Esse balde de agua fria tem vários nomes, depende da teoria, numa delas é capitalismo, parece de cristal.
Seja realista, noutra teoria popular. Caia na real e no real, ética é para as telas nas salas de aula.

É difícil de entender. Se você está dentro de uma sala, na companhia de vários olhos e mentes inclusive da sua, por que não se propor uma boa aula, e quem sabe até conseguir uma excelente? Por que não, se você já está lá, por que não estar mesmo, como um ator quando sobe no palco?

O professor reclama que ganha pouco. Tem atrizes, atores, que trabalham, trabalham fazendo teatro, e não ganham nada em dinheiro, mas alguém ganha. Por que esses artistas não param e pronto?

Parar pra quê? Todo mundo devia praticar pelo menos uma arte e um esporte.
Quem pára de praticar é porquê? Ah, não dá dinheiro.

Acontece de ganhar dinheiro com arte, acontece de não ganhar. Depende do destino que tem a ver com o passado, e não com o futuro. Só se torna destino depois que acontece. Antes de cada acontecido há uma encruzilhada, ou mais...

Nas agências bancárias você também vai ter a chance de conhecer gente, o tempo inteiro, pena que não dá tempo fazer amizade, eu acho.

Médica? É, pode ser. O problema é que o médico (alopata) trabalha pra indústria farmaceutica, irmã da indústria bélica.

Advogada? É uma. Saber que a lei é criada por legisladores, alguns corruptos, outros nem tanto, reconhecer que a lei e o certo raramente se encontram, viver pelos corredores de gente engravatada e taillerizada. Não sei.

Engenheira? Nesses tempos de engenharia, olhar em torno, quanta engenhoca. Não, não precisam de mim, já têm até demais.

Seja lá qual for a profissão, por favor, continue ou comece a praticar alguma arte, e também é importante, pratique eternamente algum esporte.

A vida é difícil pra todo mundo, portanto, acima de tudo, não se boicote, arte e esporte, independente do ganha pão, pratique.

Escolha a sua arte (escultura, música, teatro, vídeo, fotografia, dança, grafite, desenho, escrita, hibridismos... arte como o que o senso comum chama).

Pratique natação, futebol, capoeira, dança, judô, ciclismo, surf, alpinismo, caminhada, deslize com skate, patins, rapel... escolha! Faça por prazer, e cuidado pra não se machucar muito...

Acredite, nem tudo que a gente ganha, a gente ganha em dinheiro. A vida também vale a pena.



quarta-feira, junho 09, 2010

Rio de Janeiro, Maio de 2010.


Querida Telma,

O tempo caminha ao meu lado. Às vezes, ele sorri, chora, canta comigo uma lembrança.
Quando olho pra trás só vejo poeira. E o que não fiz, o que não sei, o que não lembro? Estão logo ali na frente!
A saudade vem pentear os meu cabelos, me põe brincos, perfume
e batom, insiste num piercing e tatuagem. Digo, um dia, quem sabe?
O livro na cabeceira da cama, que me pôs pra dormir, olha pra mim
querendo mais. Ele vai ficar esperando, pois eu abro a janela, a laranja e a embalagem do bolo inglês. O cheiro de café.
Aquele moço bonito que fez meu café já foi trabalhar. Ou isso foi ontem?
Pra onde foi aquela ventania toda? As folhas na calçada aguardam.
Há vinte anos perdi um dente, foi o único. Estava mais velha naqueles tempos,
era medo.
Aquele rodamoinho elétrico e agoniado deve ter emperrado. Meu estômago parece de carne, de novo.
Me olhei no espelho e decidi investir mais ainda em mim. De tarde, comprei um fondue à vela.
De noite, quatro amizades vieram espetar entre os dentes frutas lambidas pelo alegre chocolate.

Ju.

domingo, dezembro 27, 2009

As pessoas e as coisas







As pessoas são diferentes umas das outras, eu sou otimista.
São diferentes e o que há em comum é apenas o uso de um disfarce que chamamos vulgarmente de normalidade. Sou uma otimista. Acredito que todo espírito é gerado e nutrido por alguns princípios, dentre eles, o princípio, que não é um artifício, que é a origem da diferença, chamado individuação, ao qual Nietzsche vestiu o figurino de Apolo. (A perversidade do modelo consumista é fazer acreditar que Apolo pode ser fabricado em série).
A necessidade de ser normal, de ser igual, equivale à ambição de ser aprovado por alguém, ou ainda, por um grupo ou classe social. O problema é que nosso modelo de normalidade é ruim. O disfarce é feio.

O nosso modelo exalta a competição, sendo a cooperação muito mais saborosa. Quem já sentiu o gosto, sabe. É bom ter com quem comemorar a vitória e se consolar, na derrota.

E daí? Quem sente o valor, a importância, que cada pessoa ocupa em sua própria vida? Não me refiro ao valor em dinheiro (parece óbvio, mas do jeito que a coisa anda, é sempre bom avisar) e sim ao valor afetivo, que não pode ser mensurado, nem muito menos exposto, por capricho, à prova dos nove. Parece brincadeira, mas não é, isto existe: para alguns, até o afetivo está sujeito à aprovação do financeiro. As relações pessoais são pautadas, ou melhor, pré-determinadas, de acordo com a suspeita de quanto cada uma das partes tem no banco...

Na economia do afeto, o recomendado é a pessoa guardar a máximo possível. Vai sair gastando por ai? Depois, vai ficar sem nada... Você investe nas pessoas certas, porque o retorno é certo, fica em torno de 12 por cento ao ano, o que em 30 anos terá rendido 360 por cento, é mais ou menos por aí. De tanto economizar afeto...

... A solidão na velhice. Quem quer ouvir histórias de uma velha, ou de um velho? Por que justamente a vida de quem viveu tanto interessa tão pouco? Nas sociedades tradicionais da África, e daqui das Américas, os velhos eram contadores de histórias, no mínimo. A pessoa envelhecia e continuava a ter uma função social. Aqui não. Aqui, a pessoa envelhece e é posta para fora do modelo. Resta se aposentar, o que é o mesmo que perder a função social que mais interessa. Resta morrer. Quem compra esse modelo de normalidade? Quem pode e quem não pode pagar por ele (agora sim, me refiro ao dinheiro).



Um desejo? Um lugar no mundo onde as pessoas valham de um modo muito diferente do aplicado às coisas.

Um aviso? Nosso peso é em carne, osso e cabelos, não é em ouro.

Um conselho? Não imite quem você desaprova, ou seja, não se vingue.



Natal, época de dar presentes...

domingo, novembro 22, 2009


Dentro do Sonho, o Sonho…

Não sei se é verdade, mas sinto um vento dentro de mim. Parece brisa do mar, só que é dentro, no estômago, ou perto dele. O mundo já foi chato, como uma folha de papel, que ninguém amassou. O tempo tornou a terra redonda. Ela é na verdade elíptica, quase redonda, sempre foi, é o que me disseram. Sobre o mundo, ainda não sei se ele é a Terra, ou se é todo o Universo.

Dentro da Terra, tem muita terra, e gerações de gentes, e árvores para sempre enterradas. Muitas camadas de povos que desapareceram porque, enfim, não conseguiram manter suas crianças vivas, alimentá-las, fazê-las crescer…

Alguém puxa meu pé, e assim, não consigo completar meu raciocínio. Minha perna está dormente. Não vou levantar. Mas que coisa! Deixe meu pé em paz, que ele é de paz, ele só chuta bola de futebol de salão, e mesmo assim no passado. No momento, não quero saber do quanto andei, nem dos calos curados e secos, nem das mãos.
Há um silêncio que não pode ser dito ou não há como trazê-lo à tona em voz e fazer dele história. Há um silêncio que é.




ah, este blogue inspira longamente, então, ele expira... cof cof quanta poeira!

segunda-feira, junho 22, 2009

engoli um ovo inteiro
cozinhei ligeiro, ele inteiro
no meu estômago

engoli outro ovo
mas esse não cozinhou, chocou
o passarinho apressado saiu pelo lado errado
saiu pela boca

terça-feira, junho 09, 2009

eu vi a sociedade desfilar
na minha frente
vi quem sorria por obrigação e quem
nem assim sorria
o desejo que queria bem mais do que
o que tinha
e quem tinha tanto, tanto mais desejava

vi o roer das unhas até o sangue
e a prova de que ainda se vive
havia gente perfumada e o perfume valia
bem mais do que as narinas tão cansadas de tanta
falta de atenção...

terça-feira, abril 14, 2009

o dois é impossível

Alma é estrato. Certo tipo de estrato de perfume tão raro, que só tem um de cada. A alma é liquida, e se o vidrinho quebrar, ela quebra junto. Mas antes do vidrinho quebrar, a alma é gasosa, e sai sempre um pouquinho, quando a menina solta um pum. E cai na risada, como se fosse a maior novidade do mundo.

Ouvi também em tom de novidade, que todo mundo tem uma criança dentro de si. Quem teve infância tem mesmo uma infância dentro de si, que pode até sair pra passear, às vezes. Com ou sem a ajuda da cerveja.

Aquela criança vive tanto, e consegue, sem notar, dar atenção a todos os sentidos, como se todos eles fossem importantes, inclusive o tato.

É tanta imersão no que se vive, quando se é criança, que a melhor maneira de continuar assim é não perder a curiosidade.

Como ia dizendo... o dois é impossível. A cópia não é igual a cópia. Depende da qualidade do monitor, e depende também de quem assiste à tela. Depende da conexão, porque aqui em casa um vídeo de 30 segundos pode muito bem se transformar em um vídeo de 2 minutos (embora um minuto nunca seja igual ao outro).

domingo, abril 12, 2009

IT´S ALL TRUE!

Na vida não existe ilusão. É tudo verdade. Quando a gente se engana, é verdade que se engana. Quando alguém mente, é verdade que mente. A falsidade é a verdade do falso, e por ai vai. A fome, a sede, a timidez, o enfrentamento, a guerra, o movimento, é tudo verdade.

A vida é ilusão? Caia nesse papo e espere.O tempo vai por cima, feito rolo compressor, não sobra nada. Talvez o suicídio, ou a reclamação. Ruim é passar pelo dia como se o dia esperasse por algo(mas isso pode ser muito bom!). Ou cruzar com a Lua, achando que ela será, de novo, algum dia, a mesma Lua. Como diria o amigo Heráclito, não dá pra passar pelo mesmo rio duas vezes, você não será mais o mesmo, muito menos o rio...

E o retorno, e o eterno retorno? Mortes e nascimentos, o eterno retorno da diferença. Isso sim. A planta que deixa cair a sua semente. A planta morre, apodrece, desaba no chão, e aduba a outra semente, que nasce e cresce outra planta, que morre, e que aduba outra semente...

A música no repeat. E a música em si, sozinha, ali porque alguém esqueceu o som ligado? É sempre a mesma?
A paisagem é sempre a mesma sem o olhar humano? Ela se repete?

O dia se repete? Tem dia que é longo, parece que não acaba. E quando acaba, e faz aniversário, parece que foi ontem, tudo passou tão rápido! Tem dia que não acaba, quando a gente se lembra dele, ele tem sempre alguma novidade pra contar.

Cada lembrança é uma invenção. Todo mundo é contador de histórias, porque lembrar é imaginar cenas, paisagens, histórias. Mesmo com muito ensaio e colocando todo mundo lá, de novo, não vai acontecer do mesmo jeito. Como diria o corvo de Poe, nunca mais.






Além do mais a verdade muda de lugar!




cof cof, é tanta teia de aranha, quanta poeira! quanto tempo sem passar por aqui...

sexta-feira, junho 27, 2008

tempo corre...

minha menina completou dois, e isso há mais de vinte dias. O tempo enquanto realidade subjetiva, não linear, vive ao saltos, trancos e barrancos, mas às vezes, pára num sorriso.

tem uma coleção de sorrisos em minha mente, que não têm preço.

ah, coisa boa é viver, e lembrar do que não pode ser comprado, nem usado.

às vezes, acho que não estou aproveitando o suficiente, porque lembro dos problemas, que giram, e giram na cabeça. Depois, lembro que problema, eu sempre vou ter. No mínimo um problema que me cutuque por dentro, com o imperativo resolve, ou esquece.

Em todas as vidas que a gente vive, dentro desta vida aqui, sempre tem chateação, mas tem também o tempo que para, num sorriso. Quero muitos, muitos outros sorrisos da minha filha.

Fiquei tão ansiosa pro aniversário, e foi muito bom. Ela dançou alegre na hora dos parabéns, e quando as pessoas começaram a ir embora, ela disse "bola tamém".

É bom fazer amizade, é o que sempre digo a ela. Amizade chega sem a gente pedir. Eu sei que é sem pedir, mas eu peço pra mim mesma, quero que a gente crie uma bela amizade, eu e Sophia. Quero muito que gente seja amiga, sem papo-furado. Amiga que olha no olho, e que entende a hora de calar.

Tenho nela uma maravilhosa companhia. Já vai pra escola, passar a tarde toda por lá, vou ter de me adaptar. Sei que pra ela vai ser mais fácil do que pra mim... tomara.

É isso, mas acho que nem pro vento, o tempo tem passado tão rápido quanto por aqui!

sexta-feira, junho 20, 2008

tudo pela sobrevivência!

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segunda-feira, abril 28, 2008

o sorrido do banguela

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segunda-feira, março 24, 2008

quem se importa - minicrônica

A mulata tem mais memória que o computador. Quem se importa com o espírito da frajola? O computador não entende licença poética, sublinha os erros. Grifa, toma nota. Não entende. Computasse dor, gostasse ou não de poesia.
Ele tem rotina, mas num sabe usar. Enferruja, sem envelhecer. Amores, mito coração rasgado, saudade, todos circulam sem abraçar o computador.
E a mulher?

domingo, fevereiro 03, 2008

o sonho de descartes

ficou ali sentado
sem saber se era sonho
ou se tava acordado
com o papel e a caneta na mão.
tinha fumado um
sem querer se viu pessoalmente
rondando a estiva
notou pelas cordas de cânhamo
o braço do estivador
pediu mais um pro experimento
foi dali pra casa, madrugada
bebeu um vinho, depois da ceia
acendeu o incenso
pra num dá bandeira.
sentiu a perna tremer
procurou assento, entre a bunda
no ar e a bunda no sofá
naquele instante, ele perguntou
o que me faz acreditar que estou acordado
sentando aqui agora
quem me garante que tô acordado
sentado
papel na mão, caneta na boca
tinteiro na mesa de centro

Depois disso, ele acordou
e disse que de dentro do sonho
sabia que dormia
sentado no sofá ainda com a boca aberta
ressecada, o ronco ecoando nos ouvidos,
papel e caneta na mão
escreveu
de tudo que duvido
só num posso duvidar que penso
a dúvida é pensamento
e o pensamento tem razão de existir

(mas num existe pra ter sempre razão, eu disse
antes de acordar, mas não sei se Descartes ouviu,
não sei se ele ainda estava lá)

quarta-feira, dezembro 26, 2007

<òó>

Como fica a sociedade diante do que eu faço. É difácil de entender. O tempo, e a coragem pra depois de tudo só definir um eu é demais acabado. Que importa seu assento definido pra outra bunda.
Seis quilos mais magra e talvez nem chegue a tempo. O relógio só marca o tempo que só existe com hora marcada. A garganta seca agarrada. O resto do corpo encharcado de suor e de chuvisco abafado cheirando a mofo. Como fica a cidade diante do que vejo.
Meu tempo é caranguejo de andar atravessado. Calculo, concebo, articulo, envieso. Sigo, se é frente ou verso depende do eixo do caranguejo ao lado.

sexta-feira, novembro 16, 2007

A casa não estava madura

Num pense besteira, menina,
Que o vento ouve e espalha, sem querer.
Falando de augúrio, nada de bom momento.
O otimismo persiste. Talvez alguém tenha errado no tempo.
Pra mais uma vez sair e tomar um banho.
De toda aquela poeira apenas um cisquinho caiu no meu olho. É muita sorte.
Sentei no banco quente da tarde, muito vento sem chuva. Ai, minha bunda! Levantei. Com sede, apenas baba de pombo ao redor. Bebi um pouco da sede e corri ligeiro pra casa.
A casa não estava madura, tive de esperar.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Fiquei algum tempo pensando que podia lembrar de tudo de tão maravilhosa companhia. Minha filha Sophia tá com 1 ano e 3 meses, quase 1 ano e 4 meses. Acabamos de chegar da pracinha aqui em frente. Ela se diverte. É bonito ver. Tem alguns contratempos, como o amiginho que insiste em querer a mesma bola que ela. Muda de assunto, quer outra bola, um trenzinho, uma boneca presa ao carrinho de alguém. Pega a folha no chão, olha pra árvore. Olha pro céu. Olha em torno. Grita abloblin! abloin! É linda! Chuta a bloin, a bola rola, ela vai atrás, ablooiiinn!

Andei muito tensa, ansiedade. Isso a afetou porque ela mudou. Eu sei que muda rápido. Se ela fica um pouco mais nervosa, lembro ainda dos dentes, que nascem com muito incômodo, sei. Só que era mais que os dentes. Era eu também. Com medo. Medo.

descobri folheando um album que meu sonho é ver minha filha com netos, ou sem netos, convivendo na boa, com amigas e amigos. Imagina quanta alegria! Algumas pessoas têm isso na vida, será que ficam alegres pelas orelhas por conta disso?

não empurro, se quero que ela saia mais rápido da cozinha, pego no colo. Sei que as perninhas ainda são curtas pra um passo mais apressado, e empurrão, mesmo de leve, ninguém gosta.

não forçar nem ficar na fossa, tenho de lembrar, pra ela comer. Não posso adular. Brincar, tratar bem, com carinho, com consideração, não é adular. Adular parece coisa de quem engana.

desde que ela nasceu, peço licença, por favor, digo obrigada. Um dia ela vai entender. Vai aprender também que nem todo mundo é gentil. Ela vai entender que existe agressividade, arrogância, prepotência, falsidade, más intenções... mas não ser comigo.


quero ser a imagem de um abraço frondoso, de uma árvore amiga pra dar sombra, quando ela quiser, pra dar abrigo, e fruto, quando ela quiser.


Minha casa, nossa casa, sempre a casa dela, quando ela quiser.

segunda-feira, agosto 20, 2007

JARDIM BOTÂNICO sete de julho


domingo, agosto 19, 2007

MAC Niterói, quatro de julho

"Não sou eu quem me navega
quem me navega é o mar..." Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho



Dizem que o barco conhece a água. Ela também conhece o barco.
existe uma troca miúda quase secreta entre os dois. O mundo sente, mas nem todo mundo sabe.

Individuação. Navega no mar calmo ou revolto. você está só. Você não é mar, e ele não é você.
Seriedade, sobrancelhas querem se conhecer, pertencem a mesma cara.
Esta cara grudada na sua, que você cultiva como se fosse a mesma?

Nave central se abriu.
Quando a esmola é muita... dei meia volta, a porta se fechou.
Por muito pouco, e eu não estaria ao ar livre, levando uma lambida do vento na cara suada.

é profundo pra quem olha de cima, pra quem olha de baixo é alto, parede ou muro, pra quem olha de cima é queda, mergulho.
é superficie da terra, o fundo do mar. ondulado, rachado, plano, leve e pesado.
olhar não dá a dimensão exata do tato. Por exemplo, se o tato disser que a água é azul, ele vai estar mentindo.


Preciso beber água. Andar sobre as águas, diz o pescador, nunca esqueça de levar a doce.
o barco fica bêbado, se ficar sem leme...

quinta-feira, julho 12, 2007

não importa se é verdade
é bonito

terça-feira, junho 19, 2007

nem sabia noite a fora
quem volta
o cego disse o cenário
todo colorido inteiro
ele vê sem geometria
viaja

domingo, junho 03, 2007

o que a gente esquece, se esquece da gente?

Eram todos bebês enormes. Em torno da mesa, só mentiras sinceras. Estavam alegres e satisfeitos. Bebês enormes em torno dela, bebendo cervejas, caipirinhas, cafés. Bateram palmas, disseram alto e com entusiasmo"um ano"! Cantaram os parabéns. Comeram bolo. Bebês de fala grossa e de fala fina. Uns com barba e bigode, outros de saia e blusa rendada, pernas cruzadas, talvez pelo frio.

Ela, nenem de um aninho, sorriu e brincou, se divertiu. Só ela viu, em torno dela, bebês.

Vi o que ela ainda não pode ver, adultos com muito ou pouco fôlego. Cheios de saudade de outras saudades, bem distantes do que ela conhece. Quem lembra?

Mas ela jura que viu em torno dela, muitos nenens gigantes levantando os braços, falando alto de um jeito que ninguém entende, mas todo mundo se entende, de entonação em entonação.

Dizem pra mim, "ela não vai lembrar de nada disso, ninguém se lembra...". Respondo que isso vai se lembrar dela, vai acompanhá-la de algum modo.

Noutras palavras, o que a gente esquece, se esquece da gente?

domingo, maio 20, 2007

extra! extra! Brasil investe em energia solar!

Não entendo. o ministério de minas e energia nunca ouviu falar em ENERGIA solar, nem eólica!

Os profissionais da área, que supostamente trabalham para o governo, só tem os olhos, os ouvidos, e todos os sentidos voltados pra hidrelétricas e termonucleares. Será que o lobby tem algo a ver com? o lobby é algo tão imperativo que faz cegar, calar, consumir, desperdiçar.

Imagine, terra fértil toda alagada, mais uma hidrelétrica construída, porque SumPaulo num pára. Faltam só 400.

Imagine melhor, terra fértil cultivada, rios preservados, e SumPaulo mantida, toda iluminada, pelo sol, e pelos ventos. E a indústria suprida pelas fontes conhecidas.

As residências das cidades seriam todas aquecidas e iluminada pelo Sol, mesmo sendo noite. Sobraria energia das hidrelétricas para a indústria.

Não, que nada. O Brazil precisa de mais 8 ou 10 usinas nucleares, diz o governo cego de dá dó. Sol? Vento? Quem ganha com? Qual empresário do ramo da energia solar já fez um churrasquinho pro presidente? Dia de Sol é bom nisso, o churrasquinho, a praia.

Captação de energia solar? pra quê? nunca ouvi falar...

Tomara que ele, o presidente da república, sonhe com uma usina nuclear e que ela, toda, exploda em sua cachola. Ah, era só um sonho.

sábado, maio 19, 2007

foto pé



juro que é mentira

Pra começo de conversa o ensaio não acabou porque, digo e repito, ele nem havia começado.
Foi a vida que disparou numa avalanche deslavada sem freio até aqui. Por enquanto, o céu continua erguido sobre nossas cabeças, e creio pisar no que chamamos de chão.

Costumo acreditar no que dizem as palavras, mas também duvido um pouco que as mesmas existam pra muito além dos sons que tiramos delas. O tempo é também palavra.

Juro que é mentira, o dia não começa nem termina. É tudo mentira, mas por favor acredite na marcação do tempo, ou desista do relógio de uma vez.
Eu se fosse você não faria isso, porque na realidade já o fiz, e perdi a hora. Não que eu tenha me atrasado, repito, não me atrasei. Perdi a hora, nunca mais achei nenhuma pra contar a história. Piso o chão, deito, sento, mas não sei onde encontrar as horas. Posso tê-las enterrado, sem notar, sem suar, sem esforço.

Sinto calor. Pode ser saudade. Talvez seja saúde.

lá fora

eu dentro. janela aberta o vento
joelhos dobrados
sustento
menina no colo
amamento
sophia de olhos fechados
minto
tem um que meio aberto
sente
eu entorno dela
vontade plena curiosa
que só ela
deve sonhar com o sete
quando acorda não esquece
fala baixinho
com ela mesma numa língua que a entretém
é secreta mas tento decifrar
se arrisca no bom português
mamã neneim tentei
digo é por ai vá!
você consigue
falar algo que diga
outras conversas se parecem com o que são
blá
ou
verniz do que não é dito
película de uma carne tão crua
enxerto de palavras que olham proutro
lado de canto
ah se for
sem tanta escolha do melhor termo
preocupação pra não errar
que você diga
bem alto sem gritar(ou grite)
diga!!

quarta-feira, abril 11, 2007

a invenção do pai

quem inventou o pai não sabia o que estava fazendo. ou a vontade é consciente? tem alguma finalidade, boa ou ruim?
isso porque a vontade de ter filhos, talvez a inveja do útero, transformou o ser humano, os que são, e os que não são, mulheres.
para ele, a vontade de ter filhos só poderia se tornar real se alguém cedesse os meios: óvulo, encontro, gestação, parto, primeiros cuidados...
o inventor demorou, mas concluiu que precisava de uma mulher para realizar tal intento. e foi o que fez. disse que a mulher era dele. ela acreditou, e acabou sem saber como era antes. todos se esqueceram. e se esqueceram da semente feminina. ela, também, que se viu na triste ilusão de ser um receptáculo, como a terra. esqueceu de lembrar que ela mesma, mulher, nasce com tantas sementinhas, seus óvulos. ela não é apenas nutrição e sustento, é carne, veias, sangue, e circulação na vida que se forma.
o filho, a filha, amam o pai. ele quis ter filhos. por vaidade, inveja, ou amor? pra deixar rastro, ou herança? conselhos, costumes, outros bens? maus?
quando o pai vai olhar pro filho e agradecer?
talvez, a vontade do filho é que tenha inventado, gerado, o pai.

sexta-feira, abril 06, 2007

escrever todo dia

escrever todo dia
ontem, Sophia completou dez meses. eu, mais de um mês sem escrever. Senti um aperto, o tempo, por que num escrevi?
Agora, é tarde, 2:24 a.m. Nenhum texto em março, e tão poucos antes. Por onde tenho andado? Sophia linda precisa de minha atenção, mas ela também se vira sozinha, e brinca, e dorme...
Sinto como se não quisesse me mexer, como se um movimento meu pudesse mudar tudo, num giro de caleidoscópio.
Se eu paro, sei, o resto continua, e eu, parada numa supertição de quem já viu o mundo girar e mudar trezentos e sessenta e cinco graus, numa velocidade incompreensível. Tenho medo.
cheguei a pensar que a mudança é ruim, se a vida está boa, pra quê? Se me movo, tudo se move. Penso em manter as cores do caleidoscópio, só assim. Mudar tudo, eu mundo junto, mudo. Pra onde?
Não olhar pra trás. Este que olha pra mim, de canto, sussurra, "cuidado". Ou será, ouço muito mal, e ele diz, "agora!"?
Sophia acorda, reclama peito. Escrevo com uma das mãos.
basta um passo, um dedo que se levante, e aponte pra ponta do meu nariz, "avante!".
minto muito mal, miau. essa é a verdade.
a velha e a frieza, cada ruga um sulco, sem lágrimas, com seu deus, que teria um cartão de crédito, se tivesse um pouco mais de crédito.
outra velha e a alegria da compainha, e das noites também em seu computador, sozinha, sem deus, com a lua, luz, e vento.
no mais, tem peixe que chora, tem peixe que num dá tempo.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

de onde nasce o útero

O umbigo é pra fora, mas nem sempre foi assim. Ele já esteve dentro de uma barriga, barrigona, barriguda. Uma mulher crescendo dentro de uma mulher. Milhares do óvulos, quiça mulheres dentro de mulheres, que surgirão.
Uma mulher que será , é ainda bebê, cresce menina. Tem tempo no mundo, e mundo no tempo.

Ela reclama minha presença, eu era só presença, e ela também, na barriga. Agora, é fora, minha linda. É lá fora. Você era aqui dentro. Respirava, e se alimentava, em mim, sem que eu me desse conta do que fazia.

Sentir você se mexer foi tão forte, que nem me mexi, por um bom tempo. Ficava parada, só sentindo. Imóvel, com medo de que você notasse, que eu notara, e assim parasse a sua dança no ventre. Mas você sempre voltava a dançar, e aquilo tanto me alegrava, que quando lembro, sinto vontade é de sorrir e... de chorar.
Você fazia cócegas em minhas costelas, com seus pezinhos. Eu ria. Hoje faço cócegas em você. Ouço sua risadinha. Antes, você me ouvia?

Olho seu rosto, tá com oito meses, olho. Você reclama que está no cercadinho, ele é grande, mas você é bem maior que ele.
Acabo de lhe dar uma folha de papel, em branco. Você a dobra, desdobra, amassa, estica, tenta rasgar, põe na boca, morde, molha, olha, solta, pega de novo. Reclama, exclama! E segue com a folha de papel A4. Levanto pra impedir que você coma a pobre da folha. Você muda de assunto, pega sua joaninha. Olho pra você, pôs de volta o papel na boca, ganho um sorriso. Ganho o dia.

Escrevo no que parece ser um papel em branco. Mas num é.
Te amo, Sophia. Ah, isso sim, isso é.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

a dama na água - filme

Uma fábula que trabalha a metáfora dos problemas, transformados em monstros, na tela. As imagens terríveis do lobo enorme coberto de grama, sempre na espreita, trazem ao corpo o medo. A impressão é de que um problema monstruoso olha pra você, mesmo enquanto você se distrai com outras coisas, ele quer lhe devorar.

Story (Bryce Dallas Howard) é o nome da dama. Ela é uma ninfa do mar, que acredita na empatia, até entre humanos. Em tempos onde cachorros são os melhores amigos (mesmo que isso não esteja no filme)...enfim, nestes tempos de pouca confiança, e muito desconfiança em relação ao humano, os tipos da terra de Story voltam a acreditar nele. Ou seja, acreditam que a humanidade tem algum "jeito".

Story passa a maior parte do filme se recuperando dos ataques que sofre do lobo coberto de grama, enquanto seu amigo Cleveland Heep sobe e desce as escadas dos pequenos prédios realizando pequenos consertos.

Parece que, quando tocados pela empatia, nossos corpos até que se movem, e acabamos dando a mão. Noutro ponto, existe, no filme, a crença de que idéias também geram o movimento pois um autor desconhecido se tornará famoso, e seus escritos, suas reflexões, irão influenciar um tal de escolhido. Enredo com duas presenças constantes, o sentimento de empatia, e a idéia de mudança pela idéia.

O bom mesmo é a interpretação de Paul Giamatti (Heep), triste, gago, servente, síndico, do condomínio em que Story surge nua, na piscina. Ele torna a história convincente. E eu acreditei em ninfas, do começo ao fim do filme.

Acreditei também que pra resolver um grande problema, nada como poder contar com a ajuda. E toda ajuda é bem vinda, mesmo quando é atrapalhada.

Pena o filme ficar monótono, repetitivo e tão previsísel.

nite dinamite - antigas crenças - tira

hum? - poema

jeni
quem não é também
jeni
batendo papo
calada
na espera
sem espera
à beira do orgasmo?